I N F O R M A T I V O
ANO 01 | Nº 01
FEVEREIRO DE 2008
 
  E N T R E V I S T A
Abrapcorp entrevista: Elena Godoy
     A interdisciplinaridade é uma das principais características da pesquisadora Elena Godoi. Isso fica notório por meio dos temas pelos quais ela se interessa: linguagem e cultura, semântica, pragmática, geopolíticas lingüísticas e ensino de línguas estrangeiras com ênfase no espanhol. Com um extenso e diversificado currículo, a associada da Abrapcorp é graduada em Letras Espanhol/Inglês pela Universidade Pedagógica de São Petersburgo, Mestre em Letras pela Universidade Federal do Paraná, Doutora em Lingüística e Pós-Doutora pela Universidade Estadual de Campinas.

     Elena faz parte do quadro de docentes da Universidade Federal do Paraná, atuando no departamento de Departamento de Letras Estrangeiras Modernas como professora de graduação e de pós-graduação. A pesquisadora também lidera o Grupo de Pesquisa “Linguagem e Cultura”/UFPR/CNPq, que possui como diferencial a interdisciplinaridade entre a linguagem e as diversas áreas e campos de conhecimento. Por meio do Grupo de Pesquisa, a professora Elena Godoi orienta alunos de pós-graduação que se interessam pelos campos da Lingüística e Comunicação. O Informativo Abrapcorp conversou com Elena para saber qual sua opinião sobre o relacionamento desses campos.

Abrapcorp: A Lingüística e a Comunicação possuem uma forte ligação em alguns pontos. Considerando essa questão, sob o seu ponto de vista, como os estudos lingüísticos entendem a Comunicação?

Elena Godoi: Vejo essa pergunta como a principal: as outras são conseqüências. Não vou nem tentar resumir quase um século da “existência oficial” da Lingüística e séculos e séculos de reflexões mais diversas sobre a linguagem. O que me interessa e me atrai, pessoalmente, é que paralelamente com as correntes estruturalistas da Lingüística, que acompanharam com sucesso o pensamento filosófico positivista do século XX, foram surgindo e ressurgindo outros pontos de vista sobre a linguagem, aqueles que a vêem como inerente ao “homo loquens” em todas as suas manifestações. Nesse sentido, é interessante pensar a Pragmática como uma ‘Lingüística mais abrangente’, que se preocupa não só com a estrutura da linguagem e seu funcionamento, mas sobretudo com a linguagem do e no ser humano. Quer dizer, para mim, o ser humano é inseparável de e impensável sem os seus pensamentos, emoções, crenças, valores, organizações sociais de vários tipos, história, etc., o que se poderia chamar e estudar como contextos (*internos e externos) das manifestações verbais humanas (internas e/ou exteriorizadas) e da sua própria existência. Se entendo a Pragmática dessa maneira, então a Comunicação (social, organizacional, etc.) entra naturalmente no escopo de seu estudo.

Abrapcorp: O seu currículo é bastante extenso e diversificado. Entre suas pesquisas e publicações, mesmo não sendo a maioria, muitos trabalhos estão relacionados aos campos de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas. A partir de que momento e como iniciou esse interesse por esses campos de conhecimento?

Elena Godoy: Nem sempre é fácil detectar o quê nos leva a enveredarmos por uns caminhos e não pelos outros. Percebe-se pelo meu currículo que andei por muitos e muitos caminhos. Li textos e conheci pesquisadores de várias áreas, não só da Lingüística. Também tive os meus “namoros” com diversos assuntos e diversas teorias, da Lingüística ou não. Talvez tenha sido tudo isso que me levou a pensar, nestes últimos anos, em uma ‘Lingüística mais abrangente’, quem sabe, mais condizente com a Teoria da Complexidade, que é a minha última paixão.

Abrapcorp: Considerando a importância da Lingüística para a Comunicação Organizacional e para as Relações Públicas, de que forma é possível manter e até mesmo aumentar o intercâmbio de informações entre esses campos de conhecimento?

Elena Godoy: Creio que o “maior pecado” - e o mais comum entre os pesquisadores de qualquer área do conhecimento humano - é exatamente o “fechamento”, a não-aceitação das idéias de outras áreas, de outros campos de conhecimento. Se vê muito, infelizmente, que, mesmo existindo esses intercâmbios de informações, há pesquisadores que, por uma razão ou outra, se mantêm na “clausura” habitual da sua área. O resultado dessa postura é não só a inexistência de um verdadeiro diálogo entre diversos campos de conhecimento, que muitas vezes se torna realmente impossível (como nos ensina a epistemologia da ciência), mas também a dificuldade do próprio desenvolvimento das áreas.

 

Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 433 - bloco 22 - sala 30
CEP 05508-900 | Cidade Universitária | Butantã | São Paulo
Telefone (11) 3091 2949 | abrapcorp@abrapcorp.org.br | www.abrapcorp.org.br